Como a escolha da fonte de energia impacta as metas ESG
Como a escolha da fonte de energia impacta as metas ESG
A escolha da fonte de energia pode influenciar diretamente as metas ambientais de uma empresa. No mercado livre de energia, as empresas podem negociar a compra de eletricidade com geradoras e comercializadoras e escolher, entre outros fatores, a origem da energia contratada.
Em vez de depender exclusivamente do modelo tradicional de fornecimento da distribuidora local, o consumidor que participa do Ambiente de Contratação Livre (ACL) pode negociar condições de fornecimento e optar por fontes como solar, eólica e biomassa.
Essa decisão também pode fazer parte da estratégia ESG da empresa, principalmente quando existem metas relacionadas à redução de emissões de gases de efeito estufa.
O que é o mercado livre de energia?
O mercado livre de energia é um ambiente em que consumidores podem negociar a compra de eletricidade diretamente com geradores ou comercializadores.
Nesse modelo, a empresa pode negociar aspectos como preço, condições de contratação, prazo e origem da energia.
Entre as opções disponíveis estão fontes renováveis, como:
- energia solar;
- energia eólica;
- biomassa;
- pequenas centrais hidrelétricas, entre outras.
A possibilidade de escolher a origem da energia torna o mercado livre uma alternativa que pode ser considerada por empresas que possuem metas ambientais ou estratégias de redução de emissões.
Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Ambiente de Contratação Livre encerrou 2024 com 64.493 unidades consumidoras registradas, representando cerca de 39% da demanda nacional de energia.
O que é ESG e qual a relação com a energia?
ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, que corresponde a Ambiental, Social e Governança.
O conceito reúne critérios utilizados para analisar aspectos da atuação de uma empresa que vão além dos resultados financeiros.
Na área ambiental, por exemplo, entram questões como:
- emissão de gases de efeito estufa;
- consumo de energia;
- utilização de água;
- gestão de resíduos;
- uso de recursos naturais;
- impactos ambientais das operações.
Na dimensão social, são considerados temas relacionados aos funcionários, fornecedores, clientes e comunidades.
Já a governança envolve aspectos como transparência, ética, controles internos, gestão e processos de tomada de decisão.
Nesse contexto, a energia utilizada pela empresa pode fazer parte dos indicadores ambientais acompanhados dentro de uma estratégia ESG.
Por que a fonte de energia é importante para o ESG?
A eletricidade consumida por uma empresa pode estar relacionada às emissões indiretas de gases de efeito estufa.
No GHG Protocol, essas emissões são classificadas como Escopo 2, que abrange as emissões indiretas provenientes da geração de eletricidade, vapor, aquecimento ou resfriamento adquiridos pela organização.
Por isso, a origem da energia contratada pode ser considerada nos inventários corporativos de emissões.
Empresas que contratam energia proveniente de fontes renováveis podem utilizar essa informação em suas estratégias ambientais, desde que observados os critérios de contabilização e comprovação aplicáveis.
Energia renovável pode ajudar a reduzir as emissões de Escopo 2?
A contratação de energia renovável pode contribuir para as estratégias de redução das emissões de Escopo 2, mas o resultado depende da metodologia utilizada para contabilizar as emissões e dos instrumentos que comprovam a origem da energia.
No mercado livre, uma empresa pode contratar energia de fontes renováveis e, em determinadas modalidades, utilizar certificados que permitem comprovar atributos ambientais associados à eletricidade adquirida.
Essa rastreabilidade é importante para que a empresa tenha documentação capaz de sustentar as informações apresentadas em inventários, relatórios de sustentabilidade ou outros compromissos ambientais.
Por isso, não basta apenas afirmar que a energia utilizada é renovável. É necessário verificar como a origem é comprovada e como essa contratação pode ser considerada na metodologia de contabilização adotada pela empresa.
Como o mercado livre de energia entra na estratégia ESG?
Para empresas que possuem metas ambientais formalizadas, a contratação de energia pode deixar de ser apenas uma decisão relacionada a custos.
A escolha da fonte também pode fazer parte do planejamento ambiental do negócio.
Uma empresa pode, por exemplo, estabelecer metas relacionadas à redução de emissões e avaliar alternativas de fornecimento de energia renovável como parte desse processo.
A decisão precisa considerar não apenas o preço da energia, mas também fatores como contrato, origem da eletricidade, certificação, rastreabilidade e critérios utilizados para contabilização das emissões.
Dessa forma, a gestão de energia passa a estar conectada a outras ações ambientais da empresa.
Qual é a relação com o ODS 7?
A escolha por fontes renováveis também está relacionada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS 7) das Nações Unidas, que trata de energia acessível, confiável, sustentável e moderna.
O objetivo inclui metas relacionadas à ampliação da participação de energias renováveis na matriz energética mundial e à melhoria da eficiência energética.
Para empresas que adotam os ODS como referência para suas estratégias de sustentabilidade, a gestão da energia pode fazer parte desse planejamento.
O que uma empresa deve analisar antes de contratar energia renovável?
A contratação de energia renovável deve ser avaliada de acordo com as características e metas de cada empresa.
Entre os pontos que podem ser analisados estão:
- origem da energia;
- tipo de fonte renovável;
- prazo do contrato;
- preço e condições comerciais;
- documentação disponível;
- certificações e instrumentos de rastreabilidade;
- metodologia utilizada para contabilizar emissões;
- compatibilidade com as metas ambientais da empresa.
Também é importante diferenciar a contratação de energia renovável dos certificados de atributos ambientais. Eles podem ter funções diferentes dentro das estratégias de contabilização e comprovação de origem.
Mercado livre de energia vai além da economia
A possibilidade de negociar condições de fornecimento tornou o mercado livre de energia uma alternativa relevante para empresas que buscam maior controle sobre sua contratação de eletricidade.
Além dos aspectos financeiros, a escolha da fonte pode estar relacionada às metas ambientais e aos inventários de emissões da organização.
Para empresas que possuem compromissos ESG, portanto, analisar a origem da energia, sua documentação e a forma como as emissões serão contabilizadas pode ser tão importante quanto avaliar o preço da contratação.
A energia passa, assim, a fazer parte de uma estratégia mais ampla de gestão ambiental e de redução de impactos.
Fonte: Fundação Vanzolini.
Foto: Ilustrativa / I.A / ChatGTP